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Arcanos Menores: do profano ao sagrado, do vício à virtude!

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Tarot da MauMau. Ilustrações: HKE (Ás de Ouros ), Igor Burgos (Ás de Espadas), Ianah Maia (Ás de Copas), Paulo do Amparo (Ás de Paus).
Por Sabrina Carvalho*
sabbraccadabra@gmail.com

Os Arcanos Menores representam desdobramentos ou detalhamentos do caminho percorrido pelo Louco (arcano sem número ou zero), na jornada que vai do Arcano 1 (O Mago) ao 21 (O Mundo), dos Arcanos Maiores. Nessa rota de autoconhecimento proposta pelo Tarot, o Louco precisa passar pelo aprendizado de 22 etapas.

O Mago, o primeiro arcano numerado, dispõe sobre a mesa os instrumentos essenciais para orientar seus estudos nessa sua rota de autoconhecimento: os quatro elementos ( terra, ar, água e fogo) correspondem respectivamente aos quatro naipes dos arcanos menores ( Ouros, Espadas, Copas e Paus). Segundo algumas correntes de estudos esotéricos, os 4 naipes/elementos correspondem a um caminho de conhecimento, aprendizado e realização de uma alquimia interna , cujo objetivo é o auto melhoramento, através dos passos dessa jornada. Cada naipe possui 14 cartas, sendo de 1 (ás) a 10,  e quatro figuras da corte ( Valete, Cavaleiro, Rainha e Rei).

O Tarot é comumente associado aos Arcanos Maiores, e muita gente se espanta quando dizemos que o baralho comum é uma parte importantíssima de sua estrutura, e sem ele o sistema fica incompleto. Das 78 cartas, 56 correspondem aos Arcanos Menores. E eles são ainda mais conhecidos pelas pessoas do que os Maiores, pois correspondem ao baralho de cartas jogadas no mundo inteiro.

Sobre as teorias de associação do baralho aos arquétipos do Tarot, a que eu mais gosto é a que diz que os sábios hierofantes do antigo Egito previram que o conhecimento sagrado seria perseguido durante alguns milênios de vício e decadência espiritual, sistematizando os códigos desse conhecimento num sistema simbólico que atuaria durante essa Era degradante da alma humana como jogo para diversão e alimentação de vícios. E o conhecimento sagrado seria revelado na hora certa. Eis que esse tempo de revelação já foi iniciado, e aqui estou como uma missionária desse movimento de fortalecimento do Tarot como um instrumento de alcance ao conhecimento sagrado. O EU SAGRADO que se integra ao EU TODO.

Ele, o vício, e a satisfação de tantos EUS PROFANOS, me trouxeram até o Tarot, com uma ansiedade e sede de saber o que “me aconteceria?” ,se “eu conseguiria?”, “ para onde eu iria?”… Eis que nele fiquei, no Tarot, e me encontrei em muitos EUS, e através de seus elementos, ou dos meus, iniciei essa busca de mim através de mim. Sejam bem vindos aos Arcanos Menores:

Ouros, representado pelo elemento terra, é o grau do aprendizado material. O primeiro passo. Entendendo que, no planeta terra, somos uma manifestação material, o naipe de ouros é toda realização tangível que pudermos imaginar. Assim como ouro se manifesta no material, podemos entendê-lo desde como nosso corpo, saúde, sexo até trabalhos realizados, dinheiro, casa etc.

O Naipe de Espadas, de elemento ar, normalmente associado ao ambiente mental e à comunicação entre racionalidade e emotividade, também se manifesta no Tarot através do enfrentamento da dor e dos conflitos do EU com o mundo. A jornada de dor, que sugere o elemento Espadas é a lâmina do corte que media o eu e o mundo, o silêncio e a palavra, a dor e a cura, a guerra e a paz. O passo mais doloroso dos Arcanos Menores prepara o aprendiz aos passos de realização espiritual que sugerem os elementos Copas e Paus a seguir.

O Às de Taças, mais popularmente conhecido por Copas e simbolizado por um coração, tem o elemento água como condutor de seus arquétipos. Apesar do significado esotérico da água ser mais associado às emoções e à afetividade, troca é a palavra mais adequada para descrever o naipe de Taças ou Copas. Esse recipiente recebe e oferece os fluidos que nele cabem: espiritualidade, afetividade, amor em suas diversas esferas, relações erótico-afetivas, os processos ligados à educação ( pois aprendizado é uma troca), entre outras trocas simbólicas.

O Fogo da criação, o poder de transformação, a arte, a expansão da consciência… Paus é o grau mais elevado do ciclo de aprendizado dos Arcanos Menores. O fogo como representação da nossa capacidade de transformar a matéria, transformar a nossa energia, de transformar o mundo.

Cada elemento também trás consigo características negativas que precisamos vencer dentro de cada ciclo: Ouros trás a paralisia, a ambição, a comodidade e o materialismo; Espadas trás a agressividade, a frieza, o excesso de competitividade; Copas com a passividade, o excesso de emotividade e sensibilidade, ilusões; e Paus trás o poder destrutivo do fogo como seu principal desafio, além do peso da responsabilidade do poder espiritual.

Entendendo que vivemos ciclos, a todos eles sempre voltaremos e sempre aprenderemos necessárias novas lições. Ninguém nunca está isento da responsabilidade de buscar o aprendizado que nos é necessário. Nunca!

E por falar em ciclos, nossa próxima leitura será sobre o arcano X, a Roda da Fortuna e a importância das mudanças na nossa jornada. Até lá! ;)

*Sabrina Carvalho, autora da coluna SabbraCCadabra, é editora de livros e taróloga. Ministra aulas de iniciação ao Tarô e realiza leituras com os Tarôs Raider-Waite, Thoth Tarot Deck (de Aleister Crowley e Lady Frieda Harris) e Cartas do Caminho Sagrado.

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