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Ana Ghandra conta em entrevista o processo de nascimento do EP ‘Slowly’

Por Lu Rabelo
ana ghandra 2
Fotos: Camila Van-Der Linden

 

Há alguns anos quando conheci Ana Ghandra – ela recém chegada de Minas em Olinda – o que mais me chamou atenção nela foi a simpatia irradiante. Depois foi o gosto pelo mistério, pela natureza, pela essência. Por termos filhos em idades parecidas, nos encontrávamos de vez em quando, ou pelo menos nos aniversários de Ravi e Yan, o que sempre era uma alegria.  Agora, passo a conhecê-la ainda mais, através de suas músicas.

Nesta entrevista Ana compartilha com os leitores do Flores no Ar o processo de criação do seu primeiro álbum, o o EP Slowly. Deliciem-se!

Se apresenta pra gente! :) 
Oi! Tenho este nome Ana Ghandra (Ghandra vem da tataravó materna, filha de espanhóis, acho que tem algo cigano também), nasci lá em Minas, morei em Olinda por 6 anos, sou mãe de um menino de 6 anos e meio ….

Conta um pouco da história da música na tua vida…de quando começou a tocar violão, a cantar…a compor…tuas influências…
A minha relação com a música vem da infância no interior de Minas, tinha vitrola em casa, radinho de pilha que à noite na hora de dormir eu levava pra cama e deixava ele lá atrás do travesseiro e ia dormir escutando música…Comecei a tocar violão sozinha com as revistinhas de acordes do Raul Seixas, isso aos 17 anos! As minhas influências são várias, mas eu sinto muito forte a influência desta época da infância onde eu escutava muito o que os meus irmãos (sou caçula) escutavam…Meu irmão escutava muito Pink Floyd, Led, Raulzito e Nirvana, e eu, claro, escutava isso também e escutava mesmo…muito! E minha irmã era mais coisa de vozes femininas, Marisa Monte, Elis Regina, Cássia Eller… Compor já foi um processo mais complexo, mais difícil de trazer à tona porque eu tinha uma travação e ficava só de intérprete…Mas isso eu superei com a maternidade, enquanto eu estava em Olinda, recém chegada, fiquei muito em casa cuidando de Yan, amamentando… e o violão era um terapeuta, pra onde eu ia desabafar minhas questões enquanto Yan dormia!

Nos últimos tempos estás entre Olinda e a Chapada Diamantina. Como tem sido a vivência nesses tempos/lugares e como têm influenciado na tua música?
Eu digo que Olinda me ensinou a amar uma cidade (coisa que nunca tinha sentido). Pra mim cidade sempre foi só um cenário pra eu me relacionar com as pessoas, mas Olinda mudou isso…Gosto de Olinda por si só, uma coisa de ter carinho, cuidado…Aqui eu me redescobri, foi aqui que me tornei mãe, aprendi a cozinhar, pude vivenciar a arte em vários níveis, vislumbrar outras possibilidades pra mim como ser, como artista….Mas Olinda também tem suas questões imobiliárias complicadas e nisso eu ia ficar sem casa, Yan já estava morando com o pai dele na Chapada (porque nesta época eu estava numa peça de teatro “Rei Lear no meu quintal”) e aí me pareceu a hora de finalizar um ciclo em Olinda…O Vale do Capão já foi um processo mais existencial, espiritual, algo íntimo e talvez pra explicar aqui fica difícil….mas lá eu sinto a criatividade mais latejante, o externo silencia e você pode se escutar, escutar dentro!

ana ghandraEm julho/2014, foi lançado teu primeiro álbum, o EP independente Slowly, com cinco músicas. Como foi essa gestação, e agora o parto?
Esta gestação foi longa (praticamente 5 anos, as canções são de 2009/2010). Este EP só foi possível porque Paes (cantor, compositor e quem produziu o EP) acreditou nas canções! Eu sozinha jamais ia ter esta praticidade pra materializar esta história! Paes e eu fizemos a pré-produção, de pensar juntos como seriam os arranjos, pra onde cada música ia..Ele escreveu o projeto – que foi aprovado – pra gente gravar na AESO (Faculdade Barros Melo) e durante três semanas, em outubro de 2013, gravamos! Eu tive muita sorte porque todo mundo que participou, os músicos, a galera do estúdio, todos me ajudaram de todas as formas no lance que a gente chama de “brodagem”, que é a pessoa te dar uma força porque acredita naquilo, sabe? Muitas vezes só com um mínimo de ajuda de custo. Muita gratidão a todos! Iniciamos a pós produção em janeiro de 2014 para Mixar (com Rogério Samico) e agora em julho Masterizamos no Estúdio Base, com Arthur Soares!

Em Slowly, todas as letras são composições em inglês. Compor e cantar em inglês é uma preferência?
Não é uma preferência, nesta questão específica do EP as canções são um recorte de uma época da minha vida que eu tinha saído de Minas, cheguei em Olinda sem conhecer muita gente por isso ficava muito em casa para cuidar do meu filho… Nesta época eu estava ouvindo muito Bob Dylan (o disco ‘Blood on the tracks‘) e muito também Nick Drake, Cat Power e Nico…Como eu disse eu tinha uma dificuldade imensa de colocar letras nos riffs que eu encontrava no violão. Quando eu consegui finalmente colocar uma letra, esta letra foi em inglês…e aí foi como se eu tivesse encontrado um jeito pra compor, e de uma saiu outra, que saiu outra…eu tenho umas 30 canções em inglês, todas desta época! Mas quem quiser há um samba belíssimo de Paes onde eu canto em português! Este samba que se chama “Infinito” gravamos em 2012 no disco de Paes “Sem Despedida” que será relançado, e que está lá no soundcloud pra quem quiser escutar e baixar!www.soundcloud.com/paescloud

A gente (eu e Paes) somos compadres de um ir na casa do outro. A companheira de Paes, a Camila van Der Linden, que também é a fotógrafa do EP (e das fotos que eu te enviei e de vários outros registros), é minha amiga, temos aquela vivência de almoçar juntos…de Paes me mostrar uma canção e eu falar “me deixa cantar esta com você!” Foi assim com este samba “Infinito”!

Conta um pouco sobre a criação de cada música do EP.
THIS WORD: LOVE – fala do amor que se transforma, que não é mais o que já foi…e aí? como dançar o transitório? Fala também da palavras, que muitas vezes não são capazes de carregar o sentimento que colocamos nelas…. uma canção brit pop que pra mim dialoga com as influências inglesas no meu som (Beatles e Pink Floyd).

MIRROR – a velha questão do relacionamento em que há muita projeção, ‘eu me queixo de você, mas eu faço contigo a mesma coisa da qual me queixo’. Entende?! A canção, desde quando compus, já tinha esse beat cigano, uma forma de acessar minha ancestralidade materna!

RADIOSOUL – é a que eu mais gosto do EP…uma ode ao poder da música, a música como entidade…. eu compus esta canção depois de ouvir um disco do Radiohead chamado “Amnesiac” e neste dia eu estava bem mal…mas depois de escutar o disco eu já me sentia mais aliviada…e eu falo disso na canção que traduzindo seria “Antes de tudo/ é a música que me escuta/ a música me cura / a música está aqui comigo”. Os arranjos foram bem pra este lugar meio RadioHead, meio Björk, e na parte rápida um diálogo musical entre Jorge Ben + Tame Impala!

THE CODE –  é a mais suja, mais pesada…queríamos ela pra fazer o contra-ponto com as outras, pra mostrar um outro lado meu também…a letra é bem numa espécie de vômito, meio nosense… eu não pensava muito, fiquei mais interessada em brincar com as sonoridades das palavras em inglês…mas aí surgiu a ideia do Judeu que canta canções para uma garota da Palestina, a culpa na tradição Judaico-Cristã (por isso o ‘the code’), canções perdidas na guerra…

SLOWLY – é a que pra mim remete aos anos 70, à sonoridade daquela época, as canções com longos solos…um canto da transformação, a paciência necessária para se transmutar….

Quando e onde será o lançamento do EP?
Lançamos o EP online pelo site www.outroscriticos.com e já estamos ensaiando com a banda para lançar ao vivo dia 17 de agosto, domingo, às 18h, na Casa do Cachorro Preto, em Olinda! Entrada franca! Apareçam!

O que mais queres nos contar?
Ah…que estou morrendo de saudade do meu filho e que a gratidão é um sentimento extasiante!!!!!

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