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A Lenda do Graal

Durante séculos a Demanda do Graal, do poeta francês Chrétien de Troyes, escrito por volta de 1.180 tem sido motivo de fascinação e mistério para a civilização ocidental e cristã. O mito do Graal conduz a relevantes reflexões psicológicas por conter muitos elementos, oriundos do inconsciente, que envolvem o homem ocidental pelos seus mistérios e significados. Surgido numa época em que a anima começava a atingir a consciência masculina de uma forma peculiar, trata da importância e da dificuldade que o homem tem em torná-la consciente e relacionar-se com ela. Segundo Johnson (1987) a lenda do Graal é, fundamentalmente, a história de como a individuação na psique humana se desenvolve.

A Lenda do Graal (resumo)

O Cálice da Última Ceia é guardado num castelo cujo rei sofre, continuamente, por causa de uns ferimentos. Essas feridas nunca se cicatrizam e fazem o rei sofrer constantemente. O rei é ferido no início da sua adolescência quando ao comer um salmão, o qual assava num espeto, queimou os dedos e feriu a coxa. Por causa desse incidente com o peixe torna-se conhecido como o Rei Pescador. Sofre, também, por não poder gerar, pois seus testículos haviam sido feridos. Por causa disso todo o seu reino tornou-se estéril e o seu povo vive numa grande desolação. O Rei Pescador habita o castelo que guarda o GRAAL, porém não pode tocá-lo e nem ser curado por ele. Certa vez, o bobo da corte profetiza que um tolo, absolutamente ingênuo, chegaria ao castelo e quebraria o encanto.

Isolados numa floresta vivem um garoto e sua mãe, viúva, de nome Coração Partido. O menino somente saberá o seu próprio nome mais tarde: Parsifal. A intenção dessa mãe era proteger o filho dos perigos e da morte pois o marido, que era cavaleiro, morrera ao tentar salvar uma donzela e os seus dois outros filhos morreram nas pelejas. Ela, então, temendo pela vida do filho pequeno embrenhou-se com ele na floresta, com o objetivo de criá-lo em segurança, longe dos dissabores da corte. Parsifal veste roupas grosseiras tecidas em casa, não tinha instrução e não fazia perguntas. É simples e ingênuo. Um dia vê passar cinco cavaleiros ostentando as suas armaduras brilhantes. Fica fascinado e quer segui-los! A mãe, mesmo com medo de que algo possa acontecer-lhe, dá-lhe a sua benção e o aconselha a respeitar as donzelas, ir à igreja todos os dias e não fazer perguntas alguma. Parsifal sai, então, à procura dos cavaleiros…

Encontra uma tenda e pensando ser uma igreja adentra nela. Lá, vê uma donzela usando um lindo anel e, lembrando-se dos conselhos da mãe, abraça-a e lhe toma o anel. Também seguindo a orientação materna senta-se à mesa e saboreia os alimentos ali expostos. Aflita, a moça pede a Parsifal que vá embora, pois seu noivo está para chegar e pode matá-lo. No caminho depara com um mosteiro abandonado e promete restaurá-lo e retirar o seu encantamento quando tiver tempo. Na jornada depara com o Cavaleiro Vermelho que vinha da corte do Rei Arthur. Fica encantado com sua armadura brilhante e com os seus adornos vermelhos. Diz-lhe, então, que também quer ser cavaleiro e é enviado por ele à corte do Rei Arthur.

Já em Camelot, Parsifal depara com uma jovem que não ria há seis anos. Ao vê-lo ela dispara a rir, quebrando o encanto e anunciando a chegada do grande cavaleiro. Arthur, então, o sagra cavaleiro e permite que ele se apodere da armadura, das armas e da montaria do Cavaleiro Vermelho. Parsifal encontra o cavaleiro, mata-o e veste a armadura sobre suas roupas grosseiras. Armado como cavaleiro vai para o castelo de Gournamond, onde é treinado como cavaleiro. Gournamond diz-lhe que quando encontrar o Graal faça-lhe a pergunta: a quem serve o Graal?

Lembrando-se da mãe parte para buscá-la mas descobre que ela já havia falecido. Encontra, após um tempo, a donzela Branca Flor pela qual se encanta e se coloca ao seu serviço. A partir daí tudo o que fizer será para servi-la. Depois de libertar-lhe o castelo, que estava sitiado, passa a noite com ela.

No dia seguinte encontra dois homens pescando num barco. Um deles o convida a passar a noite no seu castelo. Parsifal aceita e, lá chegando, depara com o Rei Pescador; o homem que o havia convidado. Presencia, na hora da ceia, uma cerimônia na qual quatro jovens carregam uma espada que sangra sem parar e uma jovem leva o Graal. Parsifal não faz perguntas. No dia seguinte todas as pessoas e o castelo haviam sumido.

Dois cavaleiros do Rei Arthur o vêm buscar levando-o para a corte, onde é recebido com muita pompa. No meio da festa aparece uma donzela horripilante, montando uma mula decrépita, que enumera todos os defeitos e falhas de Parsifal. Com o dedo em riste, diz que tudo é culpa dele, por não haver feito a pergunta. Determina tarefas a todos os cavaleiros. A Parsifal diz que volte a procurar o Graal e que quando o encontrar faça-lhe a pergunta.

Parsifal se vai… Passa por muitas aventuras e se esquece do Graal, de Blanche Fleur e da Igreja. Certo dia encontra uns peregrinos que lhe perguntam o porquê de estar armado numa Sexta-Feira Santa. Sente-se muito mal e com remorso. Acompanha-os até um eremita, com quem se confessa. O eremita dá-lhe a absolvição e manda-o ir imediatamente ao castelo do Graal.

O poema original termina aqui, porém outros autores deram-lhe continuidade. Numa dessas versões Parsifal chega ao castelo e faz a pergunta obtendo a resposta: “O Graal serve ao Rei do Graal”.

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